quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

I have a Dream.

Quem me conhece, sabe que além da minha formação em Dança, sou licenciada em Ensino Básico 1ºciclo. Houve um dia, em que alguém que conhecia o meu historial de notas, disse algo como “Acreditas que ela era a melhor aluna da escola e agora é bailarina?”. Bem, quanto a isto não me pronuncio, nem coloco qualquer negatividade, pois sei que quem o disse, não fez por mal. Apenas queria exaltar as minhas qualidades cognitivas. As mesmas que me fizeram querer ser professora, pois eu sei – em primeira mão – o papel que os professores podem assumir nas nossas vidas. Quis ser professora porque os professores, foram sem qualquer sombra de dúvida, algumas das melhores pessoas que tive até hoje na minha vida. Há quem tenha fortes suportes familiares e para outros... Há a escola. A escola que nos acolhe independentemente da nossa história. Os meus professores não sabiam do todo de mim e mesmo assim confiaram. Acima de tudo acreditaram. Olharam para mim e viram-me. Sabiam que eu quando eu faltava, havia uma explicação lógica e não “és uma baldas”, mas mesmo que o fosse, sei que continuariam a mover mundos para que mudasse de rumo. E sei, que lhes devo praticamente tudo. É muito fácil desistirmos quando todos à nossa volta nos dizem que jamais seremos isto e/ou aquilo. Sim, deveríamos querer ser isto e aquilo por nós. Contudo, há pessoas que precisam de um empurrão. Nem todos os dias são solarengos e nem sempre a força é uma companheira fiel.

Sou da opinião de que aquilo que recebemos de bom, devemos retribuir. Um género de corrente do Bem. Decidi ser professora “primária”, pois, todos sabemos que a maior parte dos traumas que encontramos na vida adulta, têm a sua origem na infância . Quis ser aquela que faz a diferença. Aquela de quem se lembrariam quando estivessem bem, felizes e realizados. Ainda não deu para ser no geral, nem nunca o será. Podemos apenas almejar fazer pequenas diferenças. Depois, quase que por acidente, tornei-me professora de dança. Ainda me lembro de ver a minha irmã dançar (tinha eu os meus 10 anos e já algum historial de danças), via-a com as amigas e dizia que um dia iria dançar assim. Jamais, in my wildest dreams, me imaginei como professora, transmissora de tão bela arte. Foram os professores que tive que me incentivaram a seguir este rumo. Sabiam-me mais do que eu própria. E não me arrependo.

Crianças ou adultos, todos necessitamos de alguém que nos faça olhar para o espelho e aceitar as cicatrizes do passado. Alguém que nos ajude a abraçar a nossa história, como sendo parte de nós, mas que não nos define. Há coisas que nos acontecem e não as podemos alterar. São por essas que sofremos. Procuramos respostas que muito dificilmente serão as respostas que queríamos obter. A verdade é que isso aconteceu. O que fazer? Lamentá-lo não adianta. Recalcá-lo muito menos. Aceitar é a chave para que possamos ser pessoas mais felizes. É isto que pretendo transmitir nas minhas aulas de Dança. Somos todas Mulheres. Passamos por situações similares, medos comuns, angústias e também muitos momentos felizes. Como tal, para mim, faz todo o sentido conhecermo-nos.

Primeiro devemos conhecer quem somos. Só depois de nos termos visto, tal como somos, seremos capazes de olhar para os outros, fora de criticas ou julgamentos. Ninguém sabe o que se passa fora daquele estúdio. Ninguém sabe os demónios que residem na mente de cada uma. Ninguém sabe que nem sempre há um sorriso para esboçar, naqueles dias em que tudo o precisamos é de um abraço, um olhar cúmplice, um “estou aqui. Estamos aqui. Juntas seremos”. Digo isto, pois custa-me tremendamente as pessoas que não me respeitam como pessoa que está ali, com todo o carinho, para que lhes proporcionar um momento fora do caos lá fora. Há imensos casos de alunas que desaparecem e simplesmente não dizem mais nada. Contudo, lá está, nem todos somos iguais, nem temos os mesmos valores e/ou problemas. Portanto, é deixar viver e esperar que essas alunas encontrem o seu rumo (mesmo que não seja comigo, mas... estamos todas juntas nesta jornada - ainda que nem sempre o reconheçamos).

I have a dream. E nesse sonho, seremos todas mais unidas e não aquele estereótipo de mulheres/gajas que se sentem fortes com a fragilidade dos outros. Desejo muito sinceramente que sejamos capazes de encontrar essa força dentro de nós e desejar o Bem à pessoa que está ao nosso lado. Senti-lo. Sorri-lo. Enviar esse Amor sob a forma de pensamento. Quando isso acontecer, não iremos dar importância a questões como “esta tem mais jeito do que eu”, “esta é mais bonita do que eu”. Mulheres, vocês são todas Deusas. TODAS. E esta dança deverá exaltar o que vocês têm de melhor. A vossa Beleza. Aquela de que os poetas falam. Aquela que eu vejo quando vos olho e vocês desconhecem. Sonho com um dia em que haverá união, sem juízos de valor. Apenas compreensão e muito muito AMOR.

Mas para isso, sinto que todas nós, precisamos Amar-nos mais. E, nada melhor do que aprendê-lo, dançando-vos. Dançando essa Deusa Interior que reside em cada uma de vocês. E, tal como os meus professores, cá estarei para vos ajudar a ser o melhor que conseguirem Ser.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dança Oriental em Aveiro, com Chandra | BellyDance with Chandra

Pequeno vídeo de Dança Oriental / Dança do Ventre com Chandra, em Aveiro (improvisação)

Aulas de Dança do Ventre em Aveiro


Horários de Aulas de Dança Oriental, mais conhecida por Dança do Ventre em Aveiro, Ovar e Espinho (2011/2012):
  • Segunda-Feira das 21h/22h30m em Aveiro (junto ao Hospital - CDA/Companhia de Dança de Aveiro);
  • Terça-Feira das 21h15m/22h45m em Aveiro (junto ao Hospital - CDA/Companhia de Dança de Aveiro);
  • Quarta-feira das 21h/22h30m em Ovar (Espaço Aberto).
  • Quinta-feira das 19h45m/21h15m em Espinho (Surya Yoga Center) - turma ainda para iniciar.
  • Domingo das 19h/20h30m em Aveiro (junto ao Hospital - CDA/Companhia de Dança de Aveiro).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jóias do Oriente - Actuação


Paixões : Dança do Ventre em Aveiro (Dança Oriental em Aveiro)

"Na Dança, a técnica é importante, mas não me faz perfeita. A técnica está pré-feita. Logo, por muito que aprenda, não é Tudo o que preciso saber. Saciarei o assombro da minha curiosidade nas mais pequenas coisas e deixar-me-ei influenciar por isso. São elas que constituem a vida e a Dança é essa mesma Vida. A minha. Quando a Danço, claro.

A técnica dá-me fragmentos, partes que não são a totalidade do "Eu". Preciso da mente e do corpo. Preciso de mim em pleno, para me transformar num veículo do que Sou e do que sINto. Só assim consigo esvaziar-me e preencher-me simultaneamente.

Para mim, a natureza da Dança, está na própria Natureza. Tanto somos Vento em véus multicor, pássaros com as suas asas de Ísis ou cobras em movimentos serpenteados.
Quando dançamos, não nos apercebemos, mas aquela dança é imortal. Jamais conseguirá ser reproduzida de igual forma. Ritualizamos aquele momento. Perpetuamo-lo.
Eu, por mais presunçoso que possa soar, não danço quando me pedem (aí danço outras coisas). Danço quando o corpo grita que precisa de o fazer.

A dança não é o que faço, mas o que sou. Se nesse dia for menos, a Dança terá o poder transformador de me tornar mais. A alegria e a tristeza inspiram-me de igual forma.A dança traduz-me, até mais e melhor do que eu conseguiria fazer.
Não pretendo que todos que me olham, consigam ver e perceber-me. Transcende-me essa consciência racional do saber quem sou enquanto danço, pois naqueles instantes também eu estou a saber-me. A permitir que o "Eu" dançante seja o que que quiser/puder Ser.

Não se trata de obrigação, mas de paixão. Não podemos obrigar-nos a gostar de alguém, certo? Não seria...real? Verdadeiro? Com a Dança passa-se o mesmo.
As paixões são livres, sem exigências, sem o fardo de carregarmos o peso do amanhã nas costas, dão-nos aquela sensação de borboletas no estômago...
e o mais importante: não escolhemos quando nos apaixonamos.

Simplesmente acontece.

É essa paixão que nos escolhe.

No meu caso : a Dança." ©handra

Algumas das Jóias do Oriente - Fora D'Aulas :)

♥Obrigada a todas (as que estão aqui nas fotos e as que estão sempre comigo, no meu coração e pensamento), pois convosco a Vida ganha outras cores!♥
Beijos Dançantes, com Carinho,Vossa Chandra.

Andanças

Há paixões que irão enlaçar-nos para Sempre. Essa poeira dourada reluzente, recalcada por vezes, no âmago de nós. Apesar das asperezas, creio que há Tempo e Momentos para reacender certas paixões. Acredito em oportunidades. Até mesmo quando a Vida pede os seus direitos de volta, creio que é possível. E felizmente, reavivei algo que amo há imenso tempo, mas que tinha (me)perdido:

Hoje, a tenda tornou-se a velha cama de sempre, as estrelas a luz de presença tremeluzente que afasta os pesadelos em viço, e ouvi da boca do Luar a música de fundo que me embalou num novo sono. Acordei assim, não a que se tinge constantemente, mas a que salta de palco em palco, deixando para trás um rasto de brilho no olhar. A velha paixão pela novidade. A curiosidade. Os pés descalços de espinhos. O pó que se torna uma segunda pele. O corpo que só responde à música e se esquece de comer, beber...sacia-se nestes passos, vai buscar força à exaustão, perde-se na ondulação dos sorrisos que partilham com ele aquele momento, onde sOMos uma e todas as Danças.

Acredito que AQUI as almas evadem-se do corpóreo. Abrem-se de nós. Fogem por se cansar deste recipiente que procura descanso. Evolam desta mansarda, a que chamamos “eu”, pois sabem que nem toda a Vida secou e que, se há sentimentos que nos arrastam por entre lugares estéreis, também há pés alados que conseguem esfumar o peso de corações penantes. A noite de nós empalidece e somos Liberdade a monte.

E sabe tão, mas tão bem, poder voltar a este lugar e (re)conhecer-me. Dançar sem me pensar. Deixar que a Dança sopre novas cores a estes pés que , se pintavam de negro, enquanto tentavam traduzir a dor em passos. Ninguém os compreenderá. Portanto... aproveita. Aproveita esta labareda de ti. Constrói-te de novo. Dança agora porque amanhã, talvez não consigas reproduzir este momento de igual forma. Saúda aquele vazio que fica, depois de se ter estado nesta Terra do Nunca. Até isso sabe bem. Estiveste lá de facto. (IN)teira. Sinal que na verdade, nunca saíste de lá e que a paixão não deixou de existir, por entre estas... ANDANÇAS!!

PS: Isto para dizer que voltei a apaixonar-me...pelo meu querido Festival Andanças (camping incluído!) :)(: e que TODOS devíamos experimentar e conhecer *

A Primeira Dança

[Escrito no dia da Inauguração do Luxor] e dedico-o a todas as mulheres que, por algum motivo, choram antes de entrar no palco e que ao começar a música, renascem!

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A Dança. A primeira contigo, mas sem ti. Não te procurei nas aguarelas da multidão, pois eu sei. Hoje sei tudo o que há para saber. Sei-me. Sei-me neste momento. Ainda há muito para Ser. Não importa. Não há espaço para divagações. Não, não fugiu de mim o meu sorriso – nem mesmo... quando, antes de entrar, a outra de mim teimava em chorar -. Ainda que por detrás da objectiva não estejas tu, estarei Eu à frente. E o Eu é tudo o que tenho agora (e sempre).
Hoje lembrei-me de todos os meus passos. É possível estar lúcida, mesmo em transe? Sim é. Aprendi isso. Consigo estar aqui e sentir cada compasso, cada cara e vesti-los. Sê-los. Perder-me. A diferença entre nós, é que eu sei que voltarei a encontrar-me, até mesmo durante esta dança. Não te quero saber. Saber-te é pensar-te e todos sabemos que é sempre mais difícil dançar para as que dançam com o coração e não com os pés. Sou a tal, a expressiva, a que sabe que não importam os vidros no chão, pois há feridas maiores por sarar e este não é o momento delas. Não as expresso. Não há espaço para elas nesta Dança.
Lembra-te bailarina como estavas antes de entrar... a mulher frágil.
Lembra-te que ainda há segundos eras outra.
Pára. Pensa. Espera. Não pares, segue. Não penses, sente. Não esperes, dança! Não dês esse Tempo ao tempo que não existe. Ouve a música. Deixa-te Ser nova. Que importa se é a primeira? Poucos o sabem. Ninguém te sabe neste momento. Sabes-te aqui.
E agora que dão os últimos compassos recordas, sem réstia de saudade, aquela que queria entrar no palco e a que nem sequer chegou a sair dele com as suas Danças de Sorrisos...!